quarta-feira, 23 de abril de 2014

Novas Tecnologias, Velhos Problemas, Novas Desculpas

E na apresentação dos alunos hoje:

Professor: Fulano, o seu grupo é o próximo, você já está com o pendrive em mãos?
Fulano: Professor, enviei a apresentação por e-mail...
Professor: Mas você sabe que aqui não tem internet... faz o seguinte, leva o pendrive, vai na biblioteca e baixa a apresentação!
Fulano: TÁ BOM!

Fulano sai... depois de alguns minutos...

Fulano: Professor, não sei o que aconteceu, eu enviei hoje cedo, agora não está lá, deu pau, o e-mail não foi...

Então quer dizer: antigamente o cachorro era culpado de ter comido os trabalhos, hoje, os culpados são outros...

Os cachorros agradecem.


Diário de Campo 2 - Ana Fazolli

Oi, pessoal!
Hoje foi um dia de estágio particularmente interessante, pensei em compartilhar alguns detalhes com vocês. :)

Assim que cheguei para assistir a aula dupla do 2º ano B (E.M.) soube que os primeiros 50 minutos seriam destinados para uma palestra promovida por um grupo de evangélicos batistas. Esse grupo possui um projeto na escola que consiste em uma série de palestras sobre “valores universais” e em outubro uma excursão para uma chácara, o Happy Day. Apesar da ideia ser a princípio legal (afinal, são voluntários que realizam um projeto continuado na escola, trazendo assuntos e informações para além dos conteúdos escolares – hoje o tema era “profissões”), a Ju (a professora que acompanho) acha bastante delicada essa série de palestras. Ela disse que o grupo de voluntários procura se manter imparcial ao tratar dos “valores”, mas, é claro, vez ou outra escorrega. Sem entrar em detalhes, ela disse que em uma das palestras ao tratar do papel da mulher eles disseram algumas baboseiras. Complicado, né? Ainda mais porque estamos falando de uma escola estadual, laica.

Já a aula que assisti no 1º ano C (E.M.) foi completamente diferente. A Ju trouxe um trecho do livro “Grécia e Roma” do Funari, professor aqui do IFCH, sobre sexualidade na Grécia. Apesar de ser um livro de divulgação, achei que seria uma leitura chatinha para a turma pelo número de páginas (5) e vocabulário. Felizmente me enganei. Eles tiveram sim dificuldade com vocabulário, mas isso não impediu a compreensão do texto. Na realidade, a discussão foi ótima. Como essa é a sala que deu problema semana passada (contei aqui), eu e a Ju estávamos com receio do que eles diriam sobre os aspectos da cultura grega apresentados, mas a turma se comportou bem. Não fizeram piadas ou comentários preconceituosos e se apresentaram interessados. Como essa aula era de apenas 50 minutos, semana que vem a discussão continuará. 


Para terminar o diário: hoje no intervalo a professora de biologia já estava com o tablet distribuído pelo Estado. Ainda não são todos que ganharam o aparelho, mas entendi que em breve todos terão. Achei uma iniciativa interessante, mas na prática talvez seja um complemento tecnológico limitado. Enquanto agenda, caderno de notas e até banco de imagens o tablet funciona, mas sem internet (a da escola é péssima e nem sempre funciona) seu uso já é reduzido. Mesmo se o docente já vier com o conteúdo baixado ou se ele usar um aplicativo independente de internet, ainda assim, o tablet é um aparelho pequeno. Ele teria que passar de aluno em aluno ou em pequenos grupos para todos poderem visualizar e interagir. Suuuuper prático... Bom, essa é a minha opinião. Achei legal a inclusão desse aparato tecnológico como um pequeno passo, mas achei uma vitória limitada. 

É isso pessoal!
Beijocas,
Ana

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Tecnologia em sala de aula !

      A tecnologia está cada dia mais presente em nosso cotidiano e as escolas continuam evitando essas novas ferramentas com o pretexto de desumanização do processo de ensino e aprendizagem. As práticas educacionais tradicionais já não são suficientes para alunos que convivem com tantos aparelhos tecnológicos e um dinamismo de troca de informações. O uso ferramentas em sala de aula possibilita uma maior interação entre alunos e professores, acesso a diferentes meios de comunicação em um ritmo mais acelerado, além de servir de estimulo e incentivo para os estudantes.
      Fiz um questionário com a professora que estou acompanhando a respeito do" uso de tecnologias em sala de aula" em decorrência de uma atitude que me surpreendeu. Durante uma aula a respeito das Reformas Religiosas um aluno ficou com dúvidas sobre o conceito de indulgência. Após verificar o material didático e o dicionário em busca de uma resposta convincente a professora permitiu que a turma procurasse novos significados através dos celulares e da internet. Além disso, ela promoveu um debate entre os alunos para a formulação de uma resposta compreendida por todos.
      Dentre as respostas do questionário, o que mais me chamou atenção foram os seguintes pontos:

  • A dificuldade encontrada pelos professores em inserir essas novas tecnologias nas aulas, seja pela falta de conhecimentos técnico ou ausência de programas e aplicativos exclusivamente educativos (muitos professores adaptam outros recursos), seja pelas péssimas condições dos equipamentos e dos laboratórios de informática;
  • A carência de programas e aplicativos voltados para as humanidades em comparação com o as ciências exatas e biológicas, tornando os professores de história, filosofia, sociologia e geografia reféns de filmes, jornais e imagens; 
  • A dificuldade de se estabelecer uma qualidade, eficiência e crítica com relação as novas tecnologias e atividades pedagógicas, ou seja, saber como e quando usá-las para não se tornarem subordinados a essas ferramentas;
  • O obstáculo de incorporar professores, coordenadores e diretores em um projeto que inclua a tecnologia ampliando e incrementando o processo de ensino.
 Por último gostaria de saber a opinião da turma a respeito do quadro acima sobre o "novo professor".


Maiara.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tecnologias na Educação Física

17/03 - Hoje vai ter futebol?
Acompanhei a professora de educação física durante as aulas e conversamos sobre a temática e os objetivos que seriam trabalhados nas próximas aulas. (De acordo com o caderno do estado seriam as capacidades físicas, tanto para 6º, quanto 7º anos).  Discutimos as possibilidades de intervenção a partir das novas tecnologias na educação. A professora que está me supervisionando iniciou seu trabalho nessa escola este ano, por isso os alunos ainda estão em fase de adaptação em relação à forma com que ela trabalha (ou melhor, estão se adaptando a uma professora que trabalha). Infelizmente são muitos os professores de educação física que permitem se levar pelo comodismo das escolas em relação às aulas de EF. Provavelmente era o caso dos professores anteriores desses alunos, o que gerou uma incompreensão dos alunos do que realmente seja uma aula de EF. 
     - Hoje vai ter futebol? Não, hoje vai ter aula. 

  

24/03 – Dever de casa? Ah, não!
Em minha opinião, a condução da professora em relação à adaptação dos alunos a suas aulas está ocorrendo de forma excelente. As questões de indisciplina dos alunos também estão sendo controladas adequadamente (sem gritaria, ameaças, etc... apenas com conversas, reflexões e se preciso apoio da coordenação).  Nesse dia a professora propôs algumas atividades práticas para que os alunos explorassem as capacidades físicas e identificassem as capacidades mais requisitadas nessas práticas. No final propus aos alunos uma pesquisa na qual eles buscassem diferentes formas de avaliar (materiais e procedimentos) as capacidades físicas exploradas por eles (Flexibilidade, agilidade e velocidade para os 6º anos e além dessas, força e resistência para os 7º anos). Essa pesquisa seria realizada na sala de informática da escola, mas como essa não estava em funcionamento ficou como “dever de casa”. Todos os alunos afirmaram possuir acesso à internet, seja em casa ou outros lugares. (A UNESP aqui em São José dos Campos permite esse acesso as crianças a fim de incentivar a pesquisa). Até agora nada de novidade, né? Cadê as novas tecnologias nas aulas? As velhas pesquisas na internet? Ctrl+C e Ctrl+V? Que chatice, isso não traz nenhum fator de interesse aos alunos. Concordo, a menos que utilizemos essas pesquisas para um "algo a mais".
31/03 – Primeiras intervenções
Selecionamos algumas das avaliações encontradas pelos alunos e outras que eu já havia pesquisado que pudessem ser reproduzidas por eles. A partir das adequações das mesmas de acordo com os materiais e as condições de aplicação, elaboramos um processo de montagem e aplicação dos testes. Esse processo permitiu uma maior interação entre os alunos, a aproximação dos mesmos a ferramentas simples, mas ainda inexploradas por eles (trena, cronômetro). O mais interessante foi que já a partir dessas atividades muitos alunos que não participavam das aulas (sim, muitos alunos não faziam a aula de EF apenas assistiam, um ABSURDO) passaram a participar de alguma forma, seja na montagem das avaliações ou na aplicação das mesmas.

07/04 – Conselho de classe no horário de aula! (MARAVILHA)
Nas primeiras aulas do dia pudemos continuar as avaliações que não puderam ser terminadas em uma das turmas, porém como as últimas aulas não tiveram devido ao conselho de classe não pudemos terminá-las nas demais turmas.

Pude acompanhar parte do conselho, mas foi difícil permanecer naquele ambiente que se aproximava muito de um QG se preparando para uma guerra. Professores apontando os pontos fortes e fracos de seus inimigos alunos. Entre as diversas estratégias de batalha ensino uma delas me despertou interesse. Era uma proposta de eleição de representante de turma, onde seriam expostas aos alunos algumas capacidades necessárias a um representante (visando uma boa interação e liderança democrática do grupo) para que os alunos que acreditassem ter essas capacidades ou a maioria delas se candidatassem ao cargo. Inicialmente pensei que seria uma boa ideia, já que presenciei inúmeras discussões entre alunos onde cada um pensava ser o “dono do mundo”. Acreditava que dessa forma pudessem refletir um pouco sobre as responsabilidades de um líder. Outra temática que me chamou atenção foi o próprio tema da minha intervenção, novas tecnologias na educação. Fiquei surpreso, pois a maioria dos professores era a favor do uso de aparelhos eletrônicos como celular, tablet, notebook pelos alunos nas aulas, principalmente pela facilidade de pesquisar informações pertinentes aos temas trabalhados em sala. Percebi uma relutância maior por parte da coordenação quanto a esse uso. Minha opinião: O uso desses aparelhos para realizar pesquisas e tirar dúvidas em tempo real de aula seria fantástico, mas não vejo nem os alunos preparados para o uso desses aparelhos em sala de aula nem os professores preparados para adaptar os alunos ao uso produtivo dos mesmos. (Na própria universidade ainda é possível ver esse despreparo).  Mas concordo com o comentário da Elisielly no post do Matheus a distração em sala de aula pode ocorrer com ou sem esses aparelhos. Com um preparo dos professores em lidar com esse uso ele pode ser muito benéfico. Tive acesso ao PPP da escola, apesar de nem mesmo a diretora da escola saber onde se encontrava o mesmo. A coordenadora pedagógica que conseguiu encontrá-lo em uma das inúmeras gavetas da sala de coordenação. Nele consta que o mesmo deve estar disponível para consulta de pais, professores e alunos a qualquer momento (acredito que nenhum deles saiba disso). Posso falar um pouco mais do PPP em outro post.


14/04 – Avanços
Pude continuar o processo de intervenção e fiquei feliz com os avanços em relação à disciplina e participação dos alunos de todas as turmas em que estou intervindo. A professora que está me supervisionando também está contente com a evolução das turmas. Realizamos avaliações da capacidade de força de impulsão vertical e horizontal no 7º ano e houve um interesse enorme por parte dos alunos em entender como essas capacidades muitas vezes não eram perceptíveis, principalmente de impulsão vertical. Muitos dos alunos de menor estatura possuíam uma força de impulsão maior que os alunos de maior estatura o que faziam com que a alturas alcançadas fossem próximas e isso gerou uma reflexão sobre o preconceito em relação aos biótipos (Muitas pessoas são subjulgadas ou o inverso em determinado esporte devido à estatura sem levar-se em conta essa capacidade de impulsão e outros fatores que muitas vezes compensam a baixa estatura). Coincidentemente (ou não) a próxima temática a ser trabalhada com os alunos do 7º ano é o esporte, mais especificamente o basquete.

No final da aula retornamos a sala de aula onde pude explicar a última atividade referente às avaliações das capacidades físicas (nesse caso de resistência). Tenho que destacar a enorme atenção dos alunos em quanto eu explicava essa última atividade. Credito essa atenção principalmente para o fator “9dade”, justamente o que buscamos com a intervenção através do uso de novas tecnologias.  A atividade consiste em uma aplicação de um teste de resistência adaptado para a idade dos alunos, no qual usaremos um programa que será executado em notebook que possui um áudio programado a emitir um sinal sonoro em uma determinada frequência (que aumenta gradativamente) em que avaliados devem percorrer um percurso de vai e vem obedecendo a frequência desses sinais. Vale lembrar que será dado um sinal visual nos momentos em que os sinais sonoros forem executados para deixar claro a todos que ele foi emitido o que permite que uma das alunas que tem deficiência auditiva possa realizar a atividade sem problemas. (Esse procedimento foi realizado em outras atividades, como na avaliação de velocidade e agilidade para facilitar a todos a execução das mesmas).

Por enquanto.

Proposta de intervenção - Música e ditadura

Bom, pessoal, comecei a montar o projeto sobre música e ditadura, e como disse, vamos tentar fugir dos clichês (na medida do possível...). 

Um dos "pontos em comum" do meu grupo (Alteridade/Tecnologias) é o de observar o conhecimento prévio dos alunos, mas não consegui pensar em uma atividade anterior à aula em que eu pudesse analisar isso, e também não gostaria de simplesmente perguntar para os alunos o que eles sabem sobre esse tema. Mas, para minha alegria, no começo do ano, a professora fez vários exercícios de análise documental (que é o que eu faria para observar o conhecimento prévio) e muitos desses documentos tinham a ditadura como tema.

Então conversamos sobre a visão e conhecimento prévios dos alunos, e ela me disse que boa parte do que eles sabem ou tem como "verdade" é o que ouvem de seus pais ou avós, que assumem uma certa autoridade sobre o assunto porque "viveram" essa época (cabe considerar aqui que não apenas "viveram" como também foram educados nessa época, de modo que muitos apenas reproduzem ideias produzidas justamente com a intenção de promover a ditadura). 

Entre as ideias que ela percebeu neles, as mais fortes são: 1) de que para boa parte da população, a vida seguiu como sempre, sem prejuízos; 2) quem fez "tudo certinho", não se envolveu com política, etc, não teve problemas (ao melhor estilo: "quem não reagiu tá vivo"); 3) a ditadura foi um período economicamente próspero.

Nossa intenção, então, é desconstruir essas ideias - esses mitos, na real. O que parece ser um pouco difícil de fazer, considerando que nossa pretensão é falar sobre música e ditadura. E é aí que entra outro ponto: o uso das tecnologias, tanto como instrumentos para serem usados na aula, quanto como documentos, porque descobri sites e vídeos no youtube muito bons para serem usados nessa proposta. Encontrei até músicas muuuito interessantes que eu não conhecia, como uma do Chico Buarque de Holanda (na verdade, de seu heterônimo Julinho da Adelaide), de 1975, chamada "Milagre Brasileiro" e justamente contesta a ideia de uma prosperidade econômica nesse período ("quanto mais trabalho, menos vejo dinheiro").

Enfim, estou empolgada :)
Mas um ponto negativo - que nem é tão negativo - da tecnologia: são tantas opções de música, vídeos, etc, que fica difícil escolher!! :s

Elis

Diário de campo - Ana Fazolli

Carol e Gui, desculpa copiar o título de vocês, mas estou sem criatividade! 

Oi, pessoal!
Há um pouco mais de um mês estou acompanhando algumas aulas de História em uma escola estadual de E.F. e E.M. aqui em Campinas. Todas as aulas que assisto são ministradas pela Juliana, uma professora muito simpática e aberta, e são a maioria em turmas de E.M. (com exceção de uma que é de 9º ano).

Eu já havia decidido há algum tempo meu tema (História da África) e mais ou menos o recorte (trabalhar com música e, talvez, literatura contemporânea de algum país - tinha pensado em Moçambique ou Angola). Minha intenção é trazer para eles uma visão que talvez eles não tenham sobre o continente africano, como um lugar que também produz cultura e que não tem como único atrativo as pirâmides do Egito.

A princípio um dos maiores problemas que eu via no tema era o encaixe dele no cronograma desse semestre. Pelo o que eu sabia do planejamento, não teria nenhuma ligação com os temas abordados, mas como a Ju estava animada com a ideia, prosseguimos com o planejado, faltando definir a turma e o(s) dia(s).

Hoje, porém, ao chegar na escola a Ju veio me falar que gostaria que eu aplicasse o projeto em uma turma específica. Aconteceu que na semana retrasada ela havia passado uma prova para os primeiros anos na qual um dos temas abordados era eugenia/século XIX. Em uma das questões a resposta esperada era que não havia raças/povos superiores/inferiores e que os conceitos de civilização/progresso não deveriam ser tomados como universais. Para minha surpresa e a da Ju, a maioria da turma não respondeu certo essa questão e ontem durante a correção, mesmo após a explicação da questão/resposta esperada, os alunos continuaram a afirmar que existem povos que são melhores que os outros.

Após essa experiência, a Ju disse que gostaria que eu fizesse meu estágio nessa turma de primeiro ano, pois de fato há uma interseção entre o tema da prova e o que escolhi. Fiquei bastante surpresa com essa reação da sala, porém hoje quando os ajudava com um exercício semelhante (sobre o conceito de "pré-história" ser ultrapassado) não notei as mesmas reações de ontem. Não sei se eles aprenderam a "resposta certa", se realmente mudaram de opinião ou se eles só não fizeram a relação da questão de hoje com a da prova.

Bom, depois das notícias de hoje vou repensar um pouco o que eu iria levar para eles. A Ju disse que eles associam muito superioridade de um grupo ao sucesso material/tecnológico, então quero trazer (agora mais do que antes) exemplos que façam eles reverem isso.

Caso alguém tenha sugestões, elas são muito bem-vindas!
Abraço,

Ana

Estágio no Cursinho - Elisielly

Olá, pessoal, vou fazer o estágio no Cursinho Popular Herbert de Souza e acompanhar uma das professoras de História, a Paula, que, como já disse em aula, é minha amiga e colega de curso (inclusive nesse semestre a única matéria que não estamos fazendo juntas é o estágio), o que facilita bastante a comunicação entre nós duas e até mesmo a elaboração do projeto de intervenção.

Decidimos que eu darei algumas "aulas-oficinas" aos sábados. Elas funcionam assim: o professor (ou, no meu caso, a estagiária) escolhe o tema, elabora um projeto que possa ser cumprido em 1h30 (tempo de duração das aulas), avisa os alunos com uma certa antecedência e elas não são obrigatórias para os alunos, mas devem abordar conteúdos que atendam aos objetivos do cursinho, que não é apenas "fazer passar no vestibular" (o que, por ser um cursinho popular, tem um significado mais amplo, de não ser apenas uma conquista pessoal, mas uma conquista coletiva que envolve inclusive a democratização dos espaços universitários e do próprio conhecimento), mas também construir um conhecimento crítico - tudo isso está no Blog do cursinho (http://cursinhopopularherbertdesouza.blogspot.com.br/): a segunda postagem - Nossa missão é nossa identidade - apresenta a proposta pedagógica deles, e eu provavelmente sou a única do grupo que teve tanta facilidade em acessar a proposta e, mais do que isso, a única que ficou feliz em lê-la :)

Conversando com a professora, decidimos por dois temas (por enquanto, estamos pensando em outros), que estão relacionados com os cursos que estamos fazendo esse semestre: o primeiro que pensamos foi uma análise história de Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), que é um livro que os alunos terão que ler, pois cai no vestibular, e o segundo, foi ditadura e, mais especificamente, música e ditadura (ok, eu sei que é clichê, gente, mas vamos tentar fazer um negócio bacana, que justamente fuja dos clichês).

Ontem conversei com a professora com a qual vou fazer o estágio e ela me disse que os alunos estão empolgados com a primeira proposta (a segunda ela ainda não contou pra eles), mas não sabe se eles estão lendo o livro... Por isso, ela ficou de conversar com eles pra gente decidir o cronograma, mas nossa primeira ideia foi de a primeira "aula-oficina" ser dia 10/05, depois que passarem esses feriados todos.

Elis

quinta-feira, 10 de abril de 2014

DIA D!

No capítulo anterior... ficou decidido que iríamos trabalhar com imigração (até porque tínhamos que seguir com a temática do outro estágio que fazemos e também porque se encaixa com o tema que está sendo trabalhado pelo professor: formação territorial do Brasil, a partir de vários fatores como o ciclo econômico, população, etc) e também que iríamos fazer um trabalho de campo na cidade de São Paulo. Pois apertem os cintos que agora contaremos o que rolou desde a última postagem até este exato momento.


Na quinta-feira passada, aproveitamos a aula para expor as nossas pretensões e angústias em relação às atividades que serão aplicadas, com os 'amiguinhos da alteridade'. Foi muito bom, porque trocamos ideias, figurinhas e moldamos melhor o que será a nossa atividade: trabalhar com eles os conhecimentos prévios e as imagens que eles tem de alguns grupos de imigrantes e tentar desmistificar algumas dessas imagens e conhecimentos.
Quase uma semana depois, ontem, quarta-feira, dia de sol, eu e Carol fomos a escola para nossas horinhas de estágio. Ao chegar na escola percebemos uma movimentação peculiar: vários automóveis parados em frente da escola. Logo matamos a charada: REUNIÃO DE PAIS, e pensamos: NÃOTEMAULAVAMOSVOLTAREDORMIRYES!


De fato era uma reunião de pais, melhor que isso, era o DIA D. Um dia em que os pais vão até a escola para discutirem sobre a educação familiar e escolar de seus filhos e ver o que eles aprontaram fizeram no ano anterior (trabalhos, passeios, atividades, etc e tal). Logo que chegamos uma psicóloga conversava com os pais, e bem no momento que chegamos ela discutia com eles sobre uso de celulares, tablets e a necessidade de uma postura firme, porém não agressiva, para a educação dos filhos. Também pudemos ouvir relatos (bem emocionantes) de pais que querem contribuir ao máximo com a educação do filho e com a construção de uma ótima escola. Ficou evidente a importância da participação da família na vida escolar.
Vocês já devem ter percebido que não fomos embora pra casa dormir estudar, mas isso foi muito bom, porque conseguimos fechar o recorte e a programação de atividades dos estágios com o professor...


Lá vai...

11/04 - Divisão dos grupos de trabalhos (cada um ficará com um grupo de imigrantes - Africanos, Alemães, Chineses, Italianos, Japoneses e talvez Árabes ou Holandeses), deixaremos claro que essa apresentação deve conter mais imagens e menos textos, para evidenciar a representação que eles tem e também pediremos que eles busquem sobre (Influências culturais, motivos pelo qual imigraram, principais destinos; período e quantidade);
23 e 25/04 - Apresentação dos grupos (não somente para essa turma, que é o 7º ano A, mas também pro 7º ano B);
30/04 - NOSSO SHOW;


09/05 - Trabalho de Campo para São Paulo;
Encontros posteriores - confecção de mapas com escalas: global (mostrando os fluxos migratórios); nacional, regional e local (mostrando onde cada grupo de imigrante se concentrou); os próprios alunos escolheram as variáveis para representar esses grupos nos mapas; nossa intenção é que eles apliquem a somatória dos conhecimentos prévios que eles já tinham com os conhecimentos adquiridos nesse percurso.

E também conseguimos um plano de gestão escolar, que iremos analisar nos próximos capítulos. Esse DIA D foi muito produtivo. Acho que é tudo pessoal... aguardem os próximos capítulos. Abaixo algumas fotos do DIA D. Abraços!






quarta-feira, 2 de abril de 2014

Exemplo Positivo da Tecnologia em Sala de Aula

Como já mencionado nas aulas, eu realizo meu estágio na Escola Estadual Dona Elvira Santos de Oliveira, localizada em Itapira - interior de São Paulo. No dia 26 de março, a professora promoveu uma revisão para a prova, que seria aplicada no dia seguinte. Verifiquei que muitos estudantes que não costumam se dedicar às aulas estavam preocupados, pois aquela revisão era de suma importância para que eles pudessem atingir uma boa nota na avaliação. O conteúdo era tópicos elementares de geometria analítica, como ponto médio e equação da reta.
Observei que alguns estudantes não fizeram as anotações em seus cadernos, apenas prestaram atenção na resolução dos exercícios. A estratégia utilizada por eles para registrar o conteúdo do quadro negro é compatível com a abordagem do meu grupo neste estágio - as tecnologias em sala de aula. Os estudantes tiraram fotos da revisão, tendo os celulares como ferramenta. Fiquei um pouco intrigado se eles conseguiriam estudar com a imagem produzida por um celular, mas um dos alunos me mostrou a resolução e pude observar imagens de alta qualidade.
Logo após o término da aula, mencionei essa experiência na sala dos professores: o celular que vem sendo um dos grandes vilões daquela realidade escolar tornou-se uma ferramenta positiva naquele contexto.

Com o intuito de apresentar aos colegas de estágio tais imagens, solicitei a um aluno que me enviasse as fotos.

Matheus Honorio - Licenciatura em Física






Diário de Campo – Carol e Gui (:

Essa foi a nossa segunda aula com a tchurminha do 7º ano A da Escola Prof. Luiz Gonzaga Horta Lisboa, em Campinas, ao lado do professor Ederson, que tem sido um querido, super aberto e interessado nesse diálogo geográfico!
O primeiro encontro era pra ser apenas uma apresentação nossa e a observação da aula dupla (detalhe que pegamos uma aula dupla com o intervalo no meio, já dá pra prever que a turma é uma antes e outra depois!).
Acontece que descobrimos ali que o professor teria que sair depois do intervalo e os alunos, teoricamente, ficariam sem a segunda aula de Geografia. Decidimos nos oferecer para terminar um quadro que o Ederson já havia começado, sobre os ciclos econômicos e seu papel na formação do território brasileiro. Apesar de não ter nada preparado, conseguimos manter a turma (ou parte dela!) interessada até terminarmos o quadro, o que ocupou apenas metade da aula. A questão que surgiu foi: “O que vocês vão dar agora que acabou?”, aí foi difícil fazer com que eles entendessem que o quadro tinha seus desdobramentos nas nossas discussões, - não era o quadro pelo quadro - e a conversa espalhou-se rapidamente. Mas o saldo foi positivo, especialmente por se tratar de nossa primeira experiência juntos e na ausência do professor.

Na aula de hoje, continuamos com o assunto dos ciclos econômicos e o Ederson pediu que eles se organizassem em grupos para pesquisar sobre o assunto em diferentes livros didáticos, além do que eles utilizam usualmente, juntando as carteiras (o que já lhes pareceu um alívio em meio àquela disposição clássica e estática das salas de aula). Pudemos interagir com os grupos, tirando dúvidas para que, ao final, cada grupo apresentasse sua pesquisa sobre diferentes ciclos econômicos. Segundo Ederson, essa apresentação é um empurrão necessário para que eles se sintam à vontade para apresentar ideias em público, mais do que qualquer outro tipo de avaliação. Ele disse que os acompanha desde o 5º ano e consegue ver um avanço nesse sentido. Porque, verdade seja dita, falar em público não tá fácil pra ninguém :P
Finalmente contamos nossa ideia de intervenção para o professor, que surgiu exatamente de uma convergência de ideias: (1) a continuação do estágio anterior da Geografia, no qual trabalhamos com migração, focando nas trajetórias migratórias de cada um e nos movimentos regionais, (2) as discussões sobre alteridade em nossas aulas de Estágio II e (3) a possibilidade de dar continuidade/aprofundar questões que já estão sendo trabalhadas pelo professor com eles. 
Resumindo: a aula de ciclos econômicos nos levou até os imigrantes e seu papel na formação sócioespacial do território brasileiro e como isso se reverbera em nossa sociedade atual. Quem são esses imigrantes? De onde vieram? Onde se concentraram/concentram? Como eles expressam sua identidade no espaço? Qual a relação que se estabelece entre o “de dentro” e o “de fora”, o eu e o outro? Todas essas são questões que nos moveram e que serão discutidas mais calmamente com o professor para juntos pensarmos em um projeto de ação didática.

Um ponto interessante é que faremos também um trabalho de campo (já estamos correndo atrás das burocracias todas). A ideia inicial é levá-los para o bairro da Liberdade, em São Paulo, que é um importante ponto de resistência/expressão da comunidade japonesa no Brasil.
Logo aparecemos com cenas dos próximos capítulos!

Sintam-se à vontade para dar pitacos em tudo.
Inté amanhã,

Carol

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