17/03 - Hoje vai ter futebol?
Acompanhei a professora de educação física durante
as aulas e conversamos sobre a temática e os objetivos que seriam trabalhados
nas próximas aulas. (De acordo com o caderno do estado seriam as capacidades
físicas, tanto para 6º, quanto 7º anos). Discutimos as possibilidades de intervenção a
partir das novas tecnologias na educação. A professora que está me supervisionando iniciou
seu trabalho nessa escola este ano, por isso os alunos ainda estão em fase de
adaptação em relação à forma com que ela trabalha (ou melhor, estão se
adaptando a uma professora que trabalha). Infelizmente são muitos os
professores de educação física que permitem se levar pelo comodismo das escolas
em relação às aulas de EF. Provavelmente era o caso dos professores anteriores
desses alunos, o que gerou uma incompreensão dos alunos do que realmente seja
uma aula de EF.
- Hoje vai ter futebol? Não, hoje vai ter aula.
24/03 – Dever de casa? Ah, não!
Em minha opinião, a condução da professora em
relação à adaptação dos alunos a suas aulas está ocorrendo de forma excelente.
As questões de indisciplina dos alunos também estão sendo controladas
adequadamente (sem gritaria, ameaças, etc... apenas com conversas, reflexões e
se preciso apoio da coordenação). Nesse dia a professora propôs algumas atividades
práticas para que os alunos explorassem as capacidades físicas e identificassem
as capacidades mais requisitadas nessas práticas. No final propus aos alunos uma pesquisa na qual
eles buscassem diferentes formas de avaliar (materiais e procedimentos) as
capacidades físicas exploradas por eles (Flexibilidade, agilidade e velocidade
para os 6º anos e além dessas, força e resistência para os 7º anos). Essa
pesquisa seria realizada na sala de informática da escola, mas como essa não
estava em funcionamento ficou como “dever de casa”. Todos os alunos afirmaram
possuir acesso à internet, seja em casa ou outros lugares. (A UNESP aqui em São
José dos Campos permite esse acesso as crianças a fim de incentivar a
pesquisa). Até agora nada de novidade, né? Cadê as novas
tecnologias nas aulas? As velhas pesquisas na internet? Ctrl+C e Ctrl+V? Que
chatice, isso não traz nenhum fator de interesse aos alunos. Concordo, a menos que utilizemos essas pesquisas para um "algo a mais".
31/03 – Primeiras intervenções
Selecionamos algumas das avaliações encontradas
pelos alunos e outras que eu já havia pesquisado que pudessem ser reproduzidas
por eles. A partir das adequações das mesmas de acordo com os materiais e as
condições de aplicação, elaboramos um processo de montagem e aplicação dos
testes. Esse processo permitiu uma maior interação entre
os alunos, a aproximação dos mesmos a ferramentas simples, mas ainda
inexploradas por eles (trena, cronômetro). O mais interessante foi que já a partir dessas
atividades muitos alunos que não participavam das aulas (sim, muitos alunos não
faziam a aula de EF apenas assistiam, um ABSURDO)
passaram a participar de alguma forma, seja na montagem das avaliações ou na
aplicação das mesmas.
07/04 – Conselho de classe no horário de aula! (MARAVILHA)
Nas primeiras aulas do dia pudemos continuar as
avaliações que não puderam ser terminadas em uma das turmas, porém como as
últimas aulas não tiveram devido ao conselho de classe não pudemos terminá-las
nas demais turmas.
Pude acompanhar parte do conselho, mas foi
difícil permanecer naquele ambiente que se aproximava muito de um QG se
preparando para uma guerra. Professores apontando os pontos fortes e fracos de
seus inimigos alunos. Entre as
diversas estratégias de batalha ensino uma delas me despertou interesse.
Era uma proposta de eleição de representante de turma, onde seriam expostas aos
alunos algumas capacidades necessárias a um representante (visando uma boa
interação e liderança democrática do grupo) para que os alunos que acreditassem
ter essas capacidades ou a maioria delas se candidatassem ao cargo.
Inicialmente pensei que seria uma boa ideia, já que presenciei inúmeras discussões
entre alunos onde cada um pensava ser o “dono do mundo”. Acreditava que dessa
forma pudessem refletir um pouco sobre as responsabilidades de um líder. Outra temática que me chamou atenção foi o
próprio tema da minha intervenção, novas tecnologias na educação. Fiquei
surpreso, pois a maioria dos professores era a favor do uso de aparelhos
eletrônicos como celular, tablet, notebook pelos alunos nas aulas, principalmente
pela facilidade de pesquisar informações pertinentes aos temas trabalhados em
sala. Percebi uma relutância maior por parte da coordenação quanto a esse uso. Minha opinião:
O uso desses aparelhos para realizar pesquisas e tirar dúvidas em tempo real de
aula seria fantástico, mas não vejo nem os alunos preparados para o uso desses
aparelhos em sala de aula nem os professores preparados para adaptar os alunos
ao uso produtivo dos mesmos. (Na própria universidade ainda é possível ver esse
despreparo). Mas concordo com o
comentário da Elisielly no post do Matheus a distração em sala de aula pode
ocorrer com ou sem esses aparelhos. Com um preparo dos professores em lidar com
esse uso ele pode ser muito benéfico. Tive acesso ao PPP da escola, apesar de nem
mesmo a diretora da escola saber onde se encontrava o mesmo. A coordenadora
pedagógica que conseguiu encontrá-lo em uma das inúmeras gavetas da sala de
coordenação. Nele consta que o mesmo deve estar disponível para consulta de
pais, professores e alunos a qualquer momento (acredito que nenhum deles saiba
disso). Posso falar um pouco mais do PPP em outro post.
14/04 – Avanços
Pude continuar o processo de intervenção e
fiquei feliz com os avanços em relação à disciplina e participação dos alunos
de todas as turmas em que estou intervindo. A professora que está me
supervisionando também está contente com a evolução das turmas. Realizamos avaliações da capacidade de força de
impulsão vertical e horizontal no 7º ano e houve um interesse enorme por parte
dos alunos em entender como essas capacidades muitas vezes não eram
perceptíveis, principalmente de impulsão vertical. Muitos dos alunos de menor
estatura possuíam uma força de impulsão maior que os alunos de maior estatura o
que faziam com que a alturas alcançadas fossem próximas e isso gerou uma
reflexão sobre o preconceito em relação aos biótipos (Muitas pessoas são
subjulgadas ou o inverso em determinado esporte devido à estatura sem levar-se
em conta essa capacidade de impulsão e outros fatores que muitas vezes
compensam a baixa estatura). Coincidentemente (ou não) a próxima temática a ser trabalhada com os alunos do 7º ano é o esporte, mais especificamente o basquete.
No final da aula retornamos a sala de aula onde
pude explicar a última atividade referente às avaliações das capacidades
físicas (nesse caso de resistência). Tenho que destacar a enorme atenção dos
alunos em quanto eu explicava essa última atividade. Credito essa atenção
principalmente para o fator “9dade”, justamente o que buscamos com a
intervenção através do uso de novas tecnologias. A atividade consiste em uma aplicação de um
teste de resistência adaptado para a idade dos alunos, no qual usaremos um
programa que será executado em notebook que possui um áudio programado a emitir
um sinal sonoro em uma determinada frequência (que aumenta gradativamente) em
que avaliados devem percorrer um percurso de vai e vem obedecendo a frequência
desses sinais. Vale lembrar que será dado um sinal visual nos momentos em que
os sinais sonoros forem executados para deixar claro a todos que ele foi
emitido o que permite que uma das alunas que tem deficiência auditiva possa
realizar a atividade sem problemas. (Esse procedimento foi realizado em outras
atividades, como na avaliação de velocidade e agilidade para facilitar a todos
a execução das mesmas).
Por enquanto.







Marcelo,
ResponderExcluira maneira como vc tem conduzido a proposta, em parceria com a professora, parece estar sendo significativa pra turma, afinal, os alunos que não participavam estão querendo participar (e aparentemente, estão gostando!). Como vc colocou, o uso das tecnologias traz novidade, aproxima o conteúdo do interesse das crianças e não é nenhum bicho-de-sete-cabeças! Uma iniciativa simples, mas que pode fazer toda diferença.
ah sim: gostei da estratégia que usou para resguardar a imagem dos alunos! :)
abs
Jana.