Fiz um questionário com a professora que estou acompanhando a respeito do" uso de tecnologias em sala de aula" em decorrência de uma atitude que me surpreendeu. Durante uma aula a respeito das Reformas Religiosas um aluno ficou com dúvidas sobre o conceito de indulgência. Após verificar o material didático e o dicionário em busca de uma resposta convincente a professora permitiu que a turma procurasse novos significados através dos celulares e da internet. Além disso, ela promoveu um debate entre os alunos para a formulação de uma resposta compreendida por todos.
Dentre as respostas do questionário, o que mais me chamou atenção foram os seguintes pontos:
- A dificuldade encontrada pelos professores em inserir essas novas tecnologias nas aulas, seja pela falta de conhecimentos técnico ou ausência de programas e aplicativos exclusivamente educativos (muitos professores adaptam outros recursos), seja pelas péssimas condições dos equipamentos e dos laboratórios de informática;
- A carência de programas e aplicativos voltados para as humanidades em comparação com o as ciências exatas e biológicas, tornando os professores de história, filosofia, sociologia e geografia reféns de filmes, jornais e imagens;
- A dificuldade de se estabelecer uma qualidade, eficiência e crítica com relação as novas tecnologias e atividades pedagógicas, ou seja, saber como e quando usá-las para não se tornarem subordinados a essas ferramentas;
- O obstáculo de incorporar professores, coordenadores e diretores em um projeto que inclua a tecnologia ampliando e incrementando o processo de ensino.
Por último gostaria de saber a opinião da turma a respeito do quadro acima sobre o "novo professor".
Maiara.
Maiara.
Oi Maiara,
ResponderExcluirrealmente nos deparamos com um discurso bastante comum relacionando o uso das tecnologias à "desumanização". Porém, o cotidiano dos alunos (e tb dos professores, isso que é interessante!) do portão pra fora da escola está on line. Por que manter a escola off line nesse contexto? Seus questionamentos e o quadro que trouxe retoma a discussão presente no artigo do Eduardo Junqueira - que está no material de apoio, na pastinha do grupo Tecnologia e Educação (é o primeiro anexo "tecnologia e docência", se ainda não viu, vale a pena).
Logo de cara ele pergunta:"Como compreender o fato de que muitos professores mantenham-se refratários à 'modernização tecnológica', mesmo rodeados por uma crescente disponibilidade dessas tecnologias em diversos setores-chave da sociedade (agências bancárias, hospitais e até mesmo em suas casas)?" (p. 291).
Outra questão interessante que vc pontua é a falta de aplicativos e de alguns recursos específicos pra se trabalhar com as tecnologias na escola. Contudo, tb no texto do Junqueira, ele traz a discussão interessante que a presença dos recursos na escola, por si só, não garante a mudança de práticas: "Uma questão que parece ser particularmente significativa refere-se ao fato de que embora a disponibilidade das TIC nas escolas tenha aumentado gradativamente nos últimos anos, sua utilização para transformar as práticas tradicionais de ensino ainda parece manter-se como um objetivo a ser alcançado" (p. 292).
Será que o "perfil antenado" do professor (como o da imagem) é possível de ser formado? Será que disponibilizando os recursos (novos aplicativos, computadores, conexão de internet "decente") os professores já se engajariam em novas práticas?
O que vcs acham?
abs
Jana.