Oi, pessoal!
Hoje foi um dia de estágio
particularmente interessante, pensei em compartilhar alguns detalhes com vocês. :)
Assim que cheguei para assistir a
aula dupla do 2º ano B (E.M.) soube que os primeiros 50 minutos seriam
destinados para uma palestra promovida por um grupo de evangélicos batistas. Esse
grupo possui um projeto na escola que consiste em uma série de palestras sobre “valores
universais” e em outubro uma excursão para uma chácara, o Happy Day. Apesar da
ideia ser a princípio legal (afinal, são voluntários que realizam um projeto
continuado na escola, trazendo assuntos e informações para além dos conteúdos
escolares – hoje o tema era “profissões”), a Ju (a professora que acompanho)
acha bastante delicada essa série de palestras. Ela disse que o grupo de
voluntários procura se manter imparcial ao tratar dos “valores”, mas, é claro,
vez ou outra escorrega. Sem entrar em detalhes, ela disse que em uma das
palestras ao tratar do papel da mulher eles disseram algumas baboseiras.
Complicado, né? Ainda mais porque estamos falando de uma escola estadual,
laica.
Já a aula que assisti no 1º ano C
(E.M.) foi completamente diferente. A Ju trouxe um trecho do livro “Grécia e
Roma” do Funari, professor aqui do IFCH, sobre sexualidade na Grécia. Apesar de
ser um livro de divulgação, achei que seria uma leitura chatinha para a turma
pelo número de páginas (5) e vocabulário. Felizmente me enganei. Eles tiveram
sim dificuldade com vocabulário, mas isso não impediu a compreensão do texto.
Na realidade, a discussão foi ótima. Como essa é a sala que deu problema semana
passada (contei aqui), eu e a Ju estávamos com receio do que eles diriam sobre os
aspectos da cultura grega apresentados, mas a turma se comportou bem. Não
fizeram piadas ou comentários preconceituosos e se apresentaram interessados.
Como essa aula era de apenas 50 minutos, semana que vem a discussão continuará.
Para terminar o diário: hoje no intervalo a professora de biologia já estava com o tablet distribuído pelo Estado. Ainda não são todos que ganharam o aparelho, mas entendi que em breve todos terão. Achei uma iniciativa interessante, mas na prática talvez seja um complemento tecnológico limitado. Enquanto agenda, caderno de notas e até banco de imagens o tablet funciona, mas sem internet (a da escola é péssima e nem sempre funciona) seu uso já é reduzido. Mesmo se o docente já vier com o conteúdo baixado ou se ele usar um aplicativo independente de internet, ainda assim, o tablet é um aparelho pequeno. Ele teria que passar de aluno em aluno ou em pequenos grupos para todos poderem visualizar e interagir. Suuuuper prático... Bom, essa é a minha opinião. Achei legal a inclusão desse aparato tecnológico como um pequeno passo, mas achei uma vitória limitada.
É isso pessoal!
Beijocas,
Ana
Outro dia mesmo estava conversando com minha família sobre o ensino de religião nas escolas, em um país """"""""""""""""""""""""""'LAICO""""""""""""""""""""""""''' cof cof. O que eu vi em toda minha vida no ensino básico foi o ensino do cristianismo, o que eu acho errado. Não há apenas o cristianismo de religião no Brasil e muito menos no mundo. Seria bacana um ensino de todas as religiões existentes no Brasil/Mundo e como elas se estruturaram desde suas existências. Mais um prova que o mundão lá fora é bem diferente do nosso mundinho. Acho bacana o que esse grupo está realizando na escola, mas eles devem tomar cuidado em cristianizar a todos: já vimos que isso não é legal!
ResponderExcluire que veio a calhar com uma discussão sobre candomblé na nossa última aula né, gui?
ResponderExcluirum grupo estava fazendo uma apresentação sobre os imigrantes africanos e comentaram sobre a diversidade de religiões.
logo surgiu a palavra 'macumba' na roda.
'candomblé? que isso? é macumba! é vela acesa, galinha morta, mandinga...'
sabe?
o que que a gente conhece sobre as religiões afro? sobre o judaísmo? o hinduísmo? islamismo? e outras práticas religiosas pelo mundo afora?
daria uma boa articulação com a geo e a história (:
Nossa, que coincidência! A professora Ju no início do ano fez uma aula sobre religiões africanas com uma turma de 6º ano do E.F., eu não assisti, mas ela me contou sobre. Ela disse que a reação dos alunos foi a mesma, associaram tudo à "macumba" e se recusaram a aceitar os credos africanos como religiões "verdadeiras". Uma tristeza. Mas eis que no final da aula um menino foi conversar em particular com ela para contar que ele era adepto de uma daquelas religiões! Olha que legal! Quer dizer, por um lado foi extramamente chato, pois o menino viu todos seus colegas tirarem sarro daquilo que ele acredita. Por outro lado, talvez tenha sido legal para ele ver uma pessoa fora do seu convívio familiar dar importância para algo que é relevante para ele.
ResponderExcluirSeria demais se cada vez mais professores se animassem a explorar temas relacionados a diversidade cultural.