quarta-feira, 16 de abril de 2014

Diário de campo - Ana Fazolli

Carol e Gui, desculpa copiar o título de vocês, mas estou sem criatividade! 

Oi, pessoal!
Há um pouco mais de um mês estou acompanhando algumas aulas de História em uma escola estadual de E.F. e E.M. aqui em Campinas. Todas as aulas que assisto são ministradas pela Juliana, uma professora muito simpática e aberta, e são a maioria em turmas de E.M. (com exceção de uma que é de 9º ano).

Eu já havia decidido há algum tempo meu tema (História da África) e mais ou menos o recorte (trabalhar com música e, talvez, literatura contemporânea de algum país - tinha pensado em Moçambique ou Angola). Minha intenção é trazer para eles uma visão que talvez eles não tenham sobre o continente africano, como um lugar que também produz cultura e que não tem como único atrativo as pirâmides do Egito.

A princípio um dos maiores problemas que eu via no tema era o encaixe dele no cronograma desse semestre. Pelo o que eu sabia do planejamento, não teria nenhuma ligação com os temas abordados, mas como a Ju estava animada com a ideia, prosseguimos com o planejado, faltando definir a turma e o(s) dia(s).

Hoje, porém, ao chegar na escola a Ju veio me falar que gostaria que eu aplicasse o projeto em uma turma específica. Aconteceu que na semana retrasada ela havia passado uma prova para os primeiros anos na qual um dos temas abordados era eugenia/século XIX. Em uma das questões a resposta esperada era que não havia raças/povos superiores/inferiores e que os conceitos de civilização/progresso não deveriam ser tomados como universais. Para minha surpresa e a da Ju, a maioria da turma não respondeu certo essa questão e ontem durante a correção, mesmo após a explicação da questão/resposta esperada, os alunos continuaram a afirmar que existem povos que são melhores que os outros.

Após essa experiência, a Ju disse que gostaria que eu fizesse meu estágio nessa turma de primeiro ano, pois de fato há uma interseção entre o tema da prova e o que escolhi. Fiquei bastante surpresa com essa reação da sala, porém hoje quando os ajudava com um exercício semelhante (sobre o conceito de "pré-história" ser ultrapassado) não notei as mesmas reações de ontem. Não sei se eles aprenderam a "resposta certa", se realmente mudaram de opinião ou se eles só não fizeram a relação da questão de hoje com a da prova.

Bom, depois das notícias de hoje vou repensar um pouco o que eu iria levar para eles. A Ju disse que eles associam muito superioridade de um grupo ao sucesso material/tecnológico, então quero trazer (agora mais do que antes) exemplos que façam eles reverem isso.

Caso alguém tenha sugestões, elas são muito bem-vindas!
Abraço,

Ana

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Uau! Que triste isso, gente...
    No estágio passado presenciei algo mais ou menos parecido: a professora tinha dado aula sobre protestos populares (se não me engano na Primeira República) e estava fazendo a revisão; ela perguntou por que eles estavam protestando (não lembro o que era) e uma aluna respondeu que "por nada". A professora ficou em choque, mas muitos alunos concordaram e começaram a falar que "é uma coisa idiota protestar"... Foi triste, muito triste :(

    Mas está aí a importância de construir uma educação de qualidade, mais crítica e reflexiva, que acredito que é o que incentiva todos nós a "continuar" na licenciatura.

    E, Ana, acho sua ideia muito boa e que tem tudo pra produzir um pensamento mais crítico nessa turma. Você pretende passar o vídeo da Chimamanda Adichie?

    Bjus
    Elis

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  3. Ana, realmente, fiquei surpresa com o posicionamento da turma em relação a superioridade/inferioridade... acho que a dica da Elis sobre o vídeo da Chimamanda Adichie é legal (o relato dela além de tudo consegue ser bem humorado, acho que a turma pode gostar).

    Vamos nos falando,
    abs

    Jana.

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  4. Oi pessoal! A professora Heloísa também havia sugerido o vídeo e realmente é uma boa ideia. Meu único receio em relação a ele é que a turma parece ter um pouco de resistência a vídeos legendados, mas quem sabe se eu não consigo fazer com que eles deem uma chance?
    Obrigada pelas sugestões!

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