quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tecnologias na Educação Física

17/03 - Hoje vai ter futebol?
Acompanhei a professora de educação física durante as aulas e conversamos sobre a temática e os objetivos que seriam trabalhados nas próximas aulas. (De acordo com o caderno do estado seriam as capacidades físicas, tanto para 6º, quanto 7º anos).  Discutimos as possibilidades de intervenção a partir das novas tecnologias na educação. A professora que está me supervisionando iniciou seu trabalho nessa escola este ano, por isso os alunos ainda estão em fase de adaptação em relação à forma com que ela trabalha (ou melhor, estão se adaptando a uma professora que trabalha). Infelizmente são muitos os professores de educação física que permitem se levar pelo comodismo das escolas em relação às aulas de EF. Provavelmente era o caso dos professores anteriores desses alunos, o que gerou uma incompreensão dos alunos do que realmente seja uma aula de EF. 
     - Hoje vai ter futebol? Não, hoje vai ter aula. 

  

24/03 – Dever de casa? Ah, não!
Em minha opinião, a condução da professora em relação à adaptação dos alunos a suas aulas está ocorrendo de forma excelente. As questões de indisciplina dos alunos também estão sendo controladas adequadamente (sem gritaria, ameaças, etc... apenas com conversas, reflexões e se preciso apoio da coordenação).  Nesse dia a professora propôs algumas atividades práticas para que os alunos explorassem as capacidades físicas e identificassem as capacidades mais requisitadas nessas práticas. No final propus aos alunos uma pesquisa na qual eles buscassem diferentes formas de avaliar (materiais e procedimentos) as capacidades físicas exploradas por eles (Flexibilidade, agilidade e velocidade para os 6º anos e além dessas, força e resistência para os 7º anos). Essa pesquisa seria realizada na sala de informática da escola, mas como essa não estava em funcionamento ficou como “dever de casa”. Todos os alunos afirmaram possuir acesso à internet, seja em casa ou outros lugares. (A UNESP aqui em São José dos Campos permite esse acesso as crianças a fim de incentivar a pesquisa). Até agora nada de novidade, né? Cadê as novas tecnologias nas aulas? As velhas pesquisas na internet? Ctrl+C e Ctrl+V? Que chatice, isso não traz nenhum fator de interesse aos alunos. Concordo, a menos que utilizemos essas pesquisas para um "algo a mais".
31/03 – Primeiras intervenções
Selecionamos algumas das avaliações encontradas pelos alunos e outras que eu já havia pesquisado que pudessem ser reproduzidas por eles. A partir das adequações das mesmas de acordo com os materiais e as condições de aplicação, elaboramos um processo de montagem e aplicação dos testes. Esse processo permitiu uma maior interação entre os alunos, a aproximação dos mesmos a ferramentas simples, mas ainda inexploradas por eles (trena, cronômetro). O mais interessante foi que já a partir dessas atividades muitos alunos que não participavam das aulas (sim, muitos alunos não faziam a aula de EF apenas assistiam, um ABSURDO) passaram a participar de alguma forma, seja na montagem das avaliações ou na aplicação das mesmas.

07/04 – Conselho de classe no horário de aula! (MARAVILHA)
Nas primeiras aulas do dia pudemos continuar as avaliações que não puderam ser terminadas em uma das turmas, porém como as últimas aulas não tiveram devido ao conselho de classe não pudemos terminá-las nas demais turmas.

Pude acompanhar parte do conselho, mas foi difícil permanecer naquele ambiente que se aproximava muito de um QG se preparando para uma guerra. Professores apontando os pontos fortes e fracos de seus inimigos alunos. Entre as diversas estratégias de batalha ensino uma delas me despertou interesse. Era uma proposta de eleição de representante de turma, onde seriam expostas aos alunos algumas capacidades necessárias a um representante (visando uma boa interação e liderança democrática do grupo) para que os alunos que acreditassem ter essas capacidades ou a maioria delas se candidatassem ao cargo. Inicialmente pensei que seria uma boa ideia, já que presenciei inúmeras discussões entre alunos onde cada um pensava ser o “dono do mundo”. Acreditava que dessa forma pudessem refletir um pouco sobre as responsabilidades de um líder. Outra temática que me chamou atenção foi o próprio tema da minha intervenção, novas tecnologias na educação. Fiquei surpreso, pois a maioria dos professores era a favor do uso de aparelhos eletrônicos como celular, tablet, notebook pelos alunos nas aulas, principalmente pela facilidade de pesquisar informações pertinentes aos temas trabalhados em sala. Percebi uma relutância maior por parte da coordenação quanto a esse uso. Minha opinião: O uso desses aparelhos para realizar pesquisas e tirar dúvidas em tempo real de aula seria fantástico, mas não vejo nem os alunos preparados para o uso desses aparelhos em sala de aula nem os professores preparados para adaptar os alunos ao uso produtivo dos mesmos. (Na própria universidade ainda é possível ver esse despreparo).  Mas concordo com o comentário da Elisielly no post do Matheus a distração em sala de aula pode ocorrer com ou sem esses aparelhos. Com um preparo dos professores em lidar com esse uso ele pode ser muito benéfico. Tive acesso ao PPP da escola, apesar de nem mesmo a diretora da escola saber onde se encontrava o mesmo. A coordenadora pedagógica que conseguiu encontrá-lo em uma das inúmeras gavetas da sala de coordenação. Nele consta que o mesmo deve estar disponível para consulta de pais, professores e alunos a qualquer momento (acredito que nenhum deles saiba disso). Posso falar um pouco mais do PPP em outro post.


14/04 – Avanços
Pude continuar o processo de intervenção e fiquei feliz com os avanços em relação à disciplina e participação dos alunos de todas as turmas em que estou intervindo. A professora que está me supervisionando também está contente com a evolução das turmas. Realizamos avaliações da capacidade de força de impulsão vertical e horizontal no 7º ano e houve um interesse enorme por parte dos alunos em entender como essas capacidades muitas vezes não eram perceptíveis, principalmente de impulsão vertical. Muitos dos alunos de menor estatura possuíam uma força de impulsão maior que os alunos de maior estatura o que faziam com que a alturas alcançadas fossem próximas e isso gerou uma reflexão sobre o preconceito em relação aos biótipos (Muitas pessoas são subjulgadas ou o inverso em determinado esporte devido à estatura sem levar-se em conta essa capacidade de impulsão e outros fatores que muitas vezes compensam a baixa estatura). Coincidentemente (ou não) a próxima temática a ser trabalhada com os alunos do 7º ano é o esporte, mais especificamente o basquete.

No final da aula retornamos a sala de aula onde pude explicar a última atividade referente às avaliações das capacidades físicas (nesse caso de resistência). Tenho que destacar a enorme atenção dos alunos em quanto eu explicava essa última atividade. Credito essa atenção principalmente para o fator “9dade”, justamente o que buscamos com a intervenção através do uso de novas tecnologias.  A atividade consiste em uma aplicação de um teste de resistência adaptado para a idade dos alunos, no qual usaremos um programa que será executado em notebook que possui um áudio programado a emitir um sinal sonoro em uma determinada frequência (que aumenta gradativamente) em que avaliados devem percorrer um percurso de vai e vem obedecendo a frequência desses sinais. Vale lembrar que será dado um sinal visual nos momentos em que os sinais sonoros forem executados para deixar claro a todos que ele foi emitido o que permite que uma das alunas que tem deficiência auditiva possa realizar a atividade sem problemas. (Esse procedimento foi realizado em outras atividades, como na avaliação de velocidade e agilidade para facilitar a todos a execução das mesmas).

Por enquanto.

Um comentário:

  1. Marcelo,

    a maneira como vc tem conduzido a proposta, em parceria com a professora, parece estar sendo significativa pra turma, afinal, os alunos que não participavam estão querendo participar (e aparentemente, estão gostando!). Como vc colocou, o uso das tecnologias traz novidade, aproxima o conteúdo do interesse das crianças e não é nenhum bicho-de-sete-cabeças! Uma iniciativa simples, mas que pode fazer toda diferença.

    ah sim: gostei da estratégia que usou para resguardar a imagem dos alunos! :)

    abs
    Jana.

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